Com mais cirurgias e menos espera, Opera DF devolve qualidade de vida a pacientes
Após cerca de um ano convivendo com dores e dormência na mão, a diarista Wilma Fabiano Leite, de 36 anos, procurou atendimento na rede pública e recebeu o diagnóstico de síndrome do túnel do carpo — que ocorre quando o nervo mediano é comprimido no canal do punho. Com sintomas que dificultavam a rotina de trabalho e afetam a qualidade de vida, ela passou por consultas, exames e foi encaminhada para cirurgia. Moradora do Itapoã, Wilma destacou que a agilidade no procedimento e o bom atendimento prestado pela equipe de saúde fizeram toda a diferença. “Eu achei muito rápido. Assim que o cardiologista me liberou, logo saiu a cirurgia. Foi excelente, fui muito bem atendida e me senti superacolhida. Agora estou confiante de que vou ficar bem, voltar ao normal e retomar meu trabalho”, relata. Trajetória semelhante foi vivida pelo microempreendedor Leonardo Alexandre de Souza Silva, 30, morador de Arapoanga. Após fraturar o escafoide — osso localizado no punho — durante uma partida de futebol, ele procurou uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e foi encaminhado ao Hospital Regional do Paranoá, onde passou por acompanhamento e fez a cirurgia neste mês. Para ele, o acesso ao procedimento pela rede pública foi fundamental. “Eu gostei muito do atendimento e fui muito bem-recebido pela equipe. Eu não conseguiria arcar com essa cirurgia no particular. Agora é focar o pós-operatório e me recuperar o mais rápido possível”, afirma. O microempreendedor Leonardo Alexandre de Souza Silva fraturou o punho e foi encaminhado ao Hospital Regional do Paranoá, onde passou por acompanhamento e fez a cirurgia neste mês | Foto: Matheus Borges/Agência Brasília Histórias como as de Wilma e Leonardo refletem os esforços do Governo do Distrito Federal (GDF) para ampliar o acesso a cirurgias eletivas e reduzir o tempo de espera dos pacientes. Criado pela Secretaria de Saúde (SES-DF) em 2025, o programa OperaDF já registrou mais de 35 mil cirurgias entre setembro de 2025 e março deste ano, crescimento de 49% em relação ao mesmo período anterior, quando foram contabilizados em torno de 23,4 mil procedimentos. O avanço representa cerca de 11,6 mil cirurgias a mais na capital. No mesmo período, as cirurgias ambulatoriais passaram de cerca de 11,6 mil para 17,8 mil, alta de 54%, enquanto as cirurgias com internação cresceram de 11.866 para 17.264, aumento de 45%. Sobre o programa O OperaDF atua em duas frentes: a contratação de hospitais privados para procedimentos de pequena e média complexidade e o reforço da capacidade dos hospitais públicos, com contratação de anestesiologistas e ampliação das agendas cirúrgicas. Os pacientes são acompanhados pela rede pública e encaminhados conforme critérios técnicos do Complexo Regulador do Distrito Federal. A estratégia inclui consultas pré e pós-operatórias, avaliação cardiológica, acompanhamento pré-anestésico, exames, fornecimento de insumos e internação quando necessária. Segundo o secretário de Saúde, Juracy Lacerda, para reforçar a rede, foi feita a contratação de anestesiologistas para recompor o quadro dos centros cirúrgicos. “É isso que tem trazido esse resultado tão robusto para a nossa rede. O programa perpassa não só em volume, mas em qualificação também, capacitando servidores para um centro cirúrgico cada vez mais eficaz. É importante ressaltar que sempre teremos filas de cirurgias, pela necessidade das pessoas. O que buscamos é reduzir cada vez mais o tempo de espera”, afirma. O gestor acrescenta, ainda, que em 2025 o DF alcançou o maior volume de cirurgias da série histórica da rede pública, superando mais de 53 mil procedimentos. Ele reforça a importância de os interessados manterem os telefones atualizados, estarem atentos às notificações e confirmarem presença. “Estamos tendo uma fluidez muito grande na rede privada, com milhares de pacientes já chamados e operados. Fazemos um apelo para as pessoas, porque temos registrado faltas de pacientes que estavam com a cirurgia agendada e não compareceram, o que acaba impedindo que outra pessoa seja atendida naquela vaga”, alerta Lacerda. Especialidades A iniciativa também passou a incorporar novas especialidades, como a oftalmologia, ampliando a capacidade de atendimento da rede pública. Até o dia 1º deste mês, o programa contabilizava aproximadamente 10,3 mil cirurgias autorizadas na rede contratada e cerca de 3,8 mil concluídas. Entre os procedimentos contratados pelo OperaDF, a cirurgia de varizes bilateral lidera o número de atendimentos concluídos, com 1.290 operações. Na oftalmologia, a cirurgia de catarata por facoemulsificação concentra o maior volume de contratações, com 5.415 procedimentos, dos quais 643 já foram concluídos. O programa também contempla cirurgias como vasectomia, com mais de 1,2 mil operações contratadas, além de procedimentos como retirada da vesícula, tratamentos oftalmológicos, procedimentos na tireoide, correção de hérnias, cirurgias de próstata e retirada de cálculos urinários. Os dados fazem parte do balanço do OperaDF, que compara os períodos de setembro de 2024 a março de 2025 e setembro de 2025 a março de 2026. No caso das cirurgias contratadas, o levantamento considera a produção registrada até 1º de junho deste ano
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Plataformas digitais do GDF ampliam acesso da população ao serviço público
A digitalização dos serviços públicos tem mudado a forma como a população brasiliense acessa atendimentos e solicitações do Governo do Distrito Federal (GDF). Por meio de plataformas online, aplicativos e sistemas integrados, cidadãos conseguem resolver demandas relacionadas a saúde, trânsito, mobilidade, educação, acessibilidade e serviços urbanos sem enfrentar filas ou precisar se deslocar até unidades físicas. Uma das iniciativas é o GDF Digital, conjunto de plataformas criadas para modernizar a prestação de serviços públicos. Entre elas está a Administração Regional Digital 24 Horas, ferramenta que permite solicitar serviços, como poda de árvores e limpeza urbana, além de acompanhar o andamento das demandas em tempo real pelo Portal Cidadão. O sistema também inclui o EducaDF Digital, voltado para a gestão escolar; e o E-Protocolo, que possibilita o envio eletrônico de documentos para órgãos do governo. O sistema Farmácia Digital acompanha todo o processo a ser cumprido nas Farmácias de Alto Custo | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília Na área da saúde, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) lançou, em maio deste ano, a Farmácia Digital, sistema de gestão de medicamentos de alto custo. A ferramenta acompanha todo o processo, desde a aprovação da solicitação até a entrega dos medicamentos, sendo integrada ao Cartão Nacional de Saúde. "Usamos a tecnologia para reduzir as filas de espera e aproximar a saúde do cidadão" Juracy Lacerda, secretário de Saúde Além de permitir o agendamento eletrônico para retirada dos remédios, o sistema mantém toda a documentação em formato digital, facilita o controle de estoque e possibilita o acompanhamento clínico dos pacientes. “Mais do que implantar um sistema inovador, o propósito da Farmácia Digital é humanizar o atendimento e valorizar o tempo de quem mais precisa. Usamos a tecnologia para reduzir as filas de espera e aproximar a saúde do cidadão", destacou o secretário de Saúde, Juracy Lacerda. No dia 22 deste mês, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) oficializou o lançamento da Iná, plataforma de inteligência artificial voltada para o atendimento ao cidadão. O sistema tem elevado nível de autonomia no relacionamento com os usuários. Pela Iná, o consumidor pode solicitar a emissão de segunda via de contas, pedir a revisão de faturas, visualizar gráficos de consumo e solicitar abertura de serviços usando apenas a linguagem natural, em formato de conversa livre. Pela Iná, inteligência artificial da Caesb, o consumidor pode solicitar a emissão de segunda via de contas, pedir a revisão de faturas, visualizar gráficos de consumo e solicitar abertura de serviços | Foto: Reprodução A tecnologia interpreta o contexto e a necessidade do cliente sem obrigá-lo a navegar por menus engessados ou sistemas complexos. Para garantir a segurança e a privacidade, o acesso às informações ligadas ao CPF é feito unicamente mediante login no sistema gov.br. "A gente está muito orgulhoso, porque foi feita totalmente pela equipe interna da Caesb. Ficou muito fácil para o usuário. Você pergunta sem precisar complicar, sem nada: 'Ah, eu quero a segunda via da minha fatura de dezembro de 2025', aparece; 'Ah, eu quero minha média de consumo dos últimos dois anos', aparece; 'Eu quero um gráfico da minha média', aparece. Ela faz tudo sozinha", comenta o presidente da Caesb, Luis Antonio Reis. Mobilidade Para facilitar acesso a serviços como segunda via do Cartão Mobilidade ou consultar o extrato, o BRB Mobilidade conta com o serviço de chatbots | Foto: Arquivo/ Agência Brasília No transporte público, os usuários contam com os serviços digitais do BRB Mobilidade. Pelo aplicativo e pelo site é possível fazer recargas via Pix, consultar saldo, extrato e validade dos créditos, acessar itinerários e solicitar segunda via do cartão, entre outros serviços. A plataforma também oferece atendimento por chatbot. Embora os canais digitais concentrem boa parte das demandas, permanecem disponíveis 512 pontos de atendimento para recarga em todo o DF, incluindo estabelecimentos credenciados e equipamentos instalados nos terminais rodoviários. Atualmente, mais de 790 mil usuários utilizam o Cartão Mobilidade. O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) também ampliou a oferta de serviços digitais. Entre as ferramentas disponíveis está o Balcão Virtual, que permite ao cidadão protocolar solicitações, enviar documentos e acompanhar processos de forma totalmente online, sem necessidade de comparecimento presencial. O acesso pode ser feito pelo Portal de Serviços, na aba “Atendimento”, ou diretamente pelo endereço eletrônico, mediante login pelo Gov.br, com conta prata ou ouro. Além disso, o aplicativo e o site da autarquia permitem consultar a pontuação da CNH, verificar a situação do veículo e acompanhar resultados de exames e bancas examinadoras. Nos últimos anos, o número de serviços acessados ultrapassou 4 milhões. "O Balcão Virtual possibilita ao cidadão acessar diversos serviços com mais praticidade, segurança e comodidade, sem sair de casa" Marcu Bellini, diretor-geral do Detran-DF “Nosso compromisso é servir cada vez melhor a população do Distrito Federal. O Balcão Virtual possibilita ao cidadão acessar diversos serviços com mais praticidade, segurança e comodidade, sem sair de casa. Queremos continuar evoluindo, ampliando soluções digitais e tornando o atendimento cada vez mais simples, acessível e eficiente”, declarou o diretor-geral do Detran-DF, Marcu Bellini. Acessibilidade A tecnologia também tem ampliado a acessibilidade nos serviços públicos. Desde dezembro de 2023, o Distrito Federal conta com o DF Libras - CIL Online, sistema de interpretação em Libras por videochamada disponível 24 horas por dia. Por meio de um QR Code, pessoas surdas podem acionar intérpretes em tempo real durante atendimentos realizados em unidades públicas. O DF Libras pode ser acessado de UBSs, UPAs, hospitais públicos e órgãos da segurança | Foto: Matheus Borges/Agência Brasília O serviço está presente em unidades básicas de saúde (UBSs), unidades de pronto atendimento (UPAs), hospitais públicos, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ouvidorias da Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) e órgãos da segurança pública, incluindo delegacias e viaturas da Polícia Militar (PMDF). A iniciativa segue em expansão e deverá chegar também ao metrô, ao Detran-DF, ao Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) e a escolas públicas. Após cada atendimento, os usuários podem avaliar a experiência, que registra média de satisfação de 4,4 em uma escala de 1 a 5. O secretário da Pessoa com Deficiência, William Cunha, afirma que a pasta tem atuado de forma estratégica para ampliar o acesso e garantir mais autonomia às pessoas com deficiência no Distrito Federal: “O DF Libras é uma iniciativa que traduz esse compromisso ao oferecer interpretação em Libras em tempo real, 24 horas por dia, conectando o cidadão aos serviços públicos com mais acessibilidade e eficiência. Os resultados já demonstram o impacto positivo da ação, com alta avaliação dos usuários e expansão contínua para novos pontos de atendimento”.
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Com investimento de mais de R$ 10 milhões, GDF organiza a reforma do Cine Itapuã, no Gama
Fechado desde 2005 por problemas estruturais, o Cine Itapuã, no Gama, passa por uma ampla obra de reforma para devolver à população um dos mais tradicionais espaços culturais da região. Inaugurado em 1961, o cinema terá uma nova estrutura, acessibilidade, equipamentos audiovisuais modernos e ampliação da capacidade de público para 500 pessoas. Serviços começaram pela infraestrutura, adequando as instalações a normas de acessibilidade | Fotos: Matheus Borges/Agência Brasília Com investimento total de aproximadamente R$ 10,5 milhões, a obra está na fase de infraestrutura, com atualização das instalações e adequação às normas de acessibilidade. “A população vai encontrar uma sala de cinema absolutamente equipada, com o melhor que se possa imaginar hoje dentro da tecnologia” Rosa Carla de Oliveira, presidente do Conselho de Cultura do DF Rosa Carla Monteiro de Oliveira, presidente do Conselho de Cultura do Distrito Federal (CCDF), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), lembra que o processo de retomada ganhou força a partir de 2023, após avaliações técnicas e readequações dos projetos. A proposta, explica, é transformar o espaço em um centro de convivência e produção cultural para o Gama e outras regiões do DF. “A população vai encontrar uma sala de cinema absolutamente equipada, com o melhor que se possa imaginar hoje dentro da tecnologia”, afirma. “Vai ter uma ampliação para 500 lugares, em vez de 400, e será um espaço de convivência onde várias leituras culturais vão poder se apresentar. Também haverá acessos que não existiam antes, como rampas e adaptações previstas na legislação atual.” Memória afetiva O professor Rodrigo Reis comemora os trabalhos: “Aqui eu assisti ao meu primeiro filme, vi grandes atores, como Antonio Banderas e Tom Hanks, tenho muitas lembranças boas. A reinauguração vai além da expectativa de simples produções cinematográficas, porque traz de volta uma parte da nossa história” Além da modernização tecnológica, o projeto busca preservar o valor simbólico do espaço para a comunidade. Morador do Gama há décadas, o professor Rodrigo Reis, de 45 anos, lembra que assistiu no Cine Itapuã ao primeiro filme da vida, ainda na adolescência: Filadélfia, de 1993. Para o professor, a reabertura permitirá que novas gerações construam suas próprias memórias no local. [LEIA_TAMBEM]“O Cine Itapuã vai além de um cinema”, enfatiza. “Ele traz recordações, faz a gente voltar um pouco no tempo. Aqui eu assisti ao meu primeiro filme, vi grandes atores, como Antonio Banderas e Tom Hanks, tenho muitas lembranças boas. A reinauguração vai além da expectativa de simples produções cinematográficas, porque traz de volta uma parte da nossa história. E isso também amplia o acesso à cultura, porque escolas, institutos e a população vão poder aproveitar esse espaço novamente.” A expectativa pela reabertura também é compartilhada pela comunidade local. A administradora regional do Gama, Thábata Almeida, ressalta que a obra representa a recuperação de um patrimônio que marcou gerações de moradores. “São mais de 20 anos de espera por essa obra”, contabiliza. “Há muitas crianças e gerações que não conhecem o Cine Itapuã, apenas ouviram histórias sobre ele. Eu mesma tenho lembranças da infância aqui. Muitos casais se encontraram neste espaço, muitos casamentos começaram aqui. É uma memória afetiva do gamense e será muito celebrado o dia da reabertura.”
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Diabetes é a principal causa de amputações no Brasil
O diabetes mellitus é uma doença causada por problemas na produção ou resistência à absorção de insulina, hormônio que regula a glicose (açúcar) no sangue e garante energia para o organismo. Essa deficiência pode resultar em uma série de complicações de saúde, que vão de disfunções cardiovasculares — afetando coração e vasos sanguíneos — a neuropatias diabéticas — problemas no sistema nervoso periférico, danificando nervos sensitivos e motores. As consequências do quadro podem ser graves. “O diabetes é a principal causa de amputações no Brasil, provocadas pela síndrome do pé diabético, uma complicação crônica da doença”, afirma a enfermeira Samaya Ribeiro, responsável pelo Ambulatório do Pé Diabético do Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão Arterial (Cedoh), da Secretaria de Saúde (SES-DF). De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 85% das amputações de membros inferiores são feitas em pacientes com pé diabético. A síndrome é caracterizada pelo aparecimento de feridas de difícil cicatrização, que gradativamente evoluem para úlceras e infecções mais graves, resultado dos níveis elevados de açúcar no sangue ou da circulação sanguínea deficiente nas extremidades do corpo. “Em geral, o usuário que chega ao Cedoh já sofreu vários níveis de acometimento. Nos pés, além do dano vascular, também há o comprometimento nervoso. O paciente descompensado apresenta uma irrigação sanguínea cada vez mais deficiente e, ao mesmo tempo, a alteração neurológica: ele perde completamente a sensibilidade dos membros. Esse é um processo gradativo. Muitas vezes ele só percebe uma lesão quando o trauma já evoluiu e a área já está necrosando. Com esse grau de comprometimento, infelizmente, nossa intervenção acaba por ficar bastante limitada”, comenta Samaya. O diabetes pode provocar disfunções cardiovasculares e neuropatias, originando a síndrome do pé diabético | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF Diabetes tipo 2 e primeiros sintomas A enfermeira do Cedoh ressalta que a maioria dos pacientes com complicações nos pés enfrentam o diabetes tipo 2, ocasionado a partir de condições como sobrepeso, sedentarismo, alimentação inadequada e hipertensão. “Essa é uma doença que se desenvolve ao longo de muitos anos. Se o usuário é diagnosticado na idade adulta, geralmente já idoso, é porque ele já desenvolve a doença há, no mínimo, cinco anos”, afirma. Dos primeiros sinais até a necessidade de amputação do membro, decorre um longo caminho. Por parecer inofensivo, o primeiro sintoma costuma ser ignorado: o ressecamento dos pés. “O nome disso é ‘xerodermia’ e, nesse caso, significa que já existe um comprometimento das fibras nervosas que estimulam a produção de suor e sebo no pé. Então, o paciente vai ter sempre os pés ressecados independentemente de hidratá-los com creme. O ressecamento evolui rapidamente para fissuras; às vezes pegamos pacientes que chegam praticamente sem andar, porque há verdadeiras ‘crateras’ nos pés”, conta Samaya. Outro sintoma simultâneo é a diminuição do tato em mãos e pés, afetando a chamada sensibilidade protetora, que é uma sensibilidade extremamente fina, sutil. Esse sentido avisa — ao se calçar um sapato, por exemplo — se há a presença de alguma pedrinha ou se a palmilha está dobrada, se há algo de estranho. Em seguida o paciente perde a sensibilidade à dor, à pressão, à vibração — enfim, a pessoa perde a capacidade de discernir a temperatura. “Temos casos de pacientes que quiseram fazer um escalda-pés em casa, mas como não sentiam que a água estava quente demais, chegam aqui com queimaduras de segundo grau, porque enfiaram os pés em água fervente”, relata a enfermeira. É nesse estágio do pé diabético que as lesões têm mais chances de se agravar, ao ponto de haver necrose no local. Mesmo a retirada de calos, se feita sem a devida higienização ou por alguém que não seja profissional de saúde, pode levar a infecções graves, tornando necessária a amputação do membro. Arte: Agência Saúde DF Acompanhamento contínuo A aposentada Maura Aleixo, de 77 anos, conhece bem essa história. Em tratamento no Ambulatório do Pé Diabético do Cedoh, ela relata sofrer com os efeitos do diabetes há mais de 40 anos. “Acho que estava com uns 30 anos quando começou. Surgiu um problema aqui no meu pé esquerdo, parecendo um calo. Fui num médico da minha cidade, em Unaí [MG], e ele me mandou fazer um exame de glicose no sangue. Deu 380 miligramas por decilitro, muito alto”, lembra. Embora o diagnóstico já tenha mais de quatro décadas, a síndrome do pé diabético é uma condição que não tem cura, apenas tratamento. “Desde lá venho tratando, e não sara. É assim: o pé melhora, mas quando fica bom torna a inchar, o ferimento abre de novo”, conta. A situação foi ainda pior na perna direita, em que Maura precisa utilizar hoje uma prótese ortopédica abaixo do joelho. “Tudo começou por causa de um bicho-de-pé. Foi minha filha que tirou, daí esse pé foi inchando, foi apodrecendo, no fim tive que amputar a perna. Isso foi em 1996, tudo por causa do diabetes”. *Com informações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF)
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