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Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita reforça importância do diagnóstico precoce

O nascimento de uma criança é um momento de descobertas e expectativas. No entanto, para cerca de 1% dos recém-nascidos no Brasil, o início da vida traz um desafio adicional: a cardiopatia congênita. Celebrado em 12 de junho, o Dia Nacional da Conscientização da Cardiopatia Congênita reforça a importância de desvendar essa condição, que se caracteriza por alterações na estrutura do coração desenvolvidas ainda na gestação. No Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), o enfrentamento a essa realidade é estruturado na especialização e na integralidade do cuidado no acompanhamento aos pacientes do diagnóstico até a reabilitação, envolvendo uma equipe multiprofissional que também cuida de quem está ao lado do leito. Atualmente, o HCB atua como um pilar central no ecossistema de saúde pediátrica do Distrito Federal para tratar essa condição, oferecendo exames de alta complexidade como eletrocardiograma, ecocardiograma, holter, Mapa e ressonância magnética cardíaca. Devido à complementariedade do atendimento em saúde na capital, as cirurgias de alta complexidade e os procedimentos percutâneos (via cateterismo, menos invasivos e com recuperação mais rápida, por exemplo) são realizados no Instituto de Cardiologia e Transplante do Distrito Federal (ICTDF); o HCB acolhe essas crianças nos momentos do pré e pós-operatório. Pacientes em estado crítico são transferidos diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HCB logo após o diagnóstico na rede. Já os casos estáveis são acompanhados na internação ou integrados via ​Complexo Regulador em Saúde do Distrito Federal (CRDF) para consultas ambulatoriais. A unidade de saúde também recebe crianças de outros estados por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Camila Santos, mãe de Cecília, conta que a filha passou por cirurgia e hoje recebe acompanhamento do HCB em diversas especialidades médicas | Fotos: Divulgação HCB   Diagnóstico precoce pode mudar trajetórias Quando Cecília Isis nasceu, o silêncio tomou conta da sala de parto. Camila Santos, mãe da bebê, diz que ela precisou de suporte de oxigênio logo nos primeiros minutos de vida; pouco depois, a família começava uma jornada entre internações:​ "Eu fiz todos os exames da gravidez. Fiz ultrassom morfológico, fiz pré-natal, mas a gente não sabia da cardiopatia. Só descobrimos quando ela nasceu", lembra. Cecília passou os primeiros meses de vida entre internações, consultas e medicações. A comunicação entre os ventrículos do coração provocava sobrecarga cardíaca, hipertensão e hiperfluxo pulmonar. Aos cinco meses, o quadro se agravou.​ "Ela estava muito cansada, vomitava todas as refeições, tinha febres constantes. Na consulta, a cardiologista viu que tinha chegado a hora da cirurgia", lembra Camila. A vaga para o procedimento surgiu rapidamente. Dias depois, Cecília passou pela correção cardíaca no ICTDF.​ Hoje, a menina segue em acompanhamento contínuo no HCB com diversas especialidades, incluindo cardiologia, gastroenterologia, nutrição, pneumologia, neurologia e reabilitação. A trajetória em busca de cuidado em saúde se repetiu de forma ​um pouco diferente na vida de Geovanna Lobato. Logo após o parto, ela voltou para casa da maternidade acreditando que o filho estava saudável. Apenas sete dias depois, percebeu que Vitor Levi ficava com os lábios arroxeados ​quando mamava. O que parecia um detalhe se transformou no início de uma corrida contra o tempo.​ "Nunca imaginei que ele seria cardiopata. Nossa vida era completamente estável ​em Corrente [Piauí]. Quando chegamos a Brasília, achávamos que seria só uma consulta. Desde então, estamos aqui lutando pela saúde dele", conta. Geovanna Lobato com o filho Vítor no HCB, onde o bebê se recupera de uma cirurgia para tratar uma cardiopatia grave Vitor também precisou enfrentar uma cirurgia complexa. Diagnosticado com uma cardiopatia grave que comprometeu o desenvolvimento do lado esquerdo do coração, ele passou pelo procedimento de Glenn aos quatro meses de vida.​ O pós-operatório foi marcado por momentos de extrema tensão.​ "Os médicos chamaram a mim e ao pai dele duas vezes para dizer que ele poderia não resistir. Foi muito difícil", recorda Geovanna.​ Atualmente em fase de reabilitação, Vitor reaprende a se alimentar e está se preparando para a próxima etapa do tratamento, ​que inclui acompanhamento constante no HCB pelos próximos anos. A cardiopatia congênita é uma condição multifatorial, o que significa que, na maioria das vezes, não existe uma causa única e isolada para o seu desenvolvimento. A médica coordenadora de Cardiologia e Ecocardiografia do HCB, Juliana Duarte Diniz, explica que fatores genéticos e ambientais caminham juntos.​ "As cardiopatias estão frequentemente associadas a síndromes genéticas, como as síndromes de Down, Edwards e Patau. Além disso, existem fatores de risco maternos importantes, como diabetes, lúpus, infecções como a rubéola, idade materna avançada e o uso de certas medicações ou substâncias durante a gravidez. O histórico familiar também exige atenção redobrada", pontua a especialista.​ Por outro lado,​ pondera: "Mitos comuns precisam ser desfeitos. A hipertensão materna, por exemplo, ​muito embora interfira no funcionamento temporário do coração intrauterino, não está diretamente associada à malformação estrutural do órgão." ​Para a médica, a primeira e mais importante ​barreira contra as complicações da doença é o diagnóstico precoce, que idealmente começa antes mesmo do parto. O ecocardiograma fetal, exame realizado preferencialmente entre a 22ª e a 25ª semana de gestação, é capaz de detectar a maioria das anomalias graves, como a condição de ventrículo único.​ ​No entanto, como o ecocardiograma fetal nem sempre faz parte do protocolo padrão de todo pré-natal​ na rede pública de saúde, o olhar atento do ​médico obstetra durante o ultrassom morfológico é crucial. ​ ​Quando a descoberta da cardiopatia não ocorre na barriga da mãe, a rede pública de saúde​ do Distrito Federal conta com uma triagem neonatal indispensável: o teste do coraçãozinho. Realizado obrigatoriamente após as primeiras 24 horas de vida do bebê, o exame é simples, indolor e crucial, mesmo para recém-nascidos que aparentam estar perfeitamente saudáveis. "As cardiopatias estão frequentemente associadas a síndromes genéticas, como as síndromes de Down, Edwards e Patau. Além disso, existem fatores de risco maternos importantes, como diabetes, lúpus, infecções como a rubéola, idade materna avançada e o uso de certas medicações ou substâncias durante a gravidez" Juliana Duarte Diniz, coordenadora de Cardiologia e Ecocardiografia do HCB O procedimento consiste no uso de um sensor de oximetria de pulso​, muito similar a uma pulseira, na mão direita​ e em um dos pés do bebê, que é utilizado para medir a saturação de oxigênio e a frequência cardíaca. O resultado é considerado normal quando a saturação está igual ou acima de 95% em ambos os locais e a diferença entre as duas medições é menor que 3%. Caso haja alteração, o teste é repetido. Se a oscilação persistir, a criança é encaminhada para avaliação clínica e realização de um ecocardiograma para investigar a causa da hipóxia (baixa oxigenação). ​No caso de Cecília, nem o pré-natal nem o teste do coraçãozinho apontaram alterações. O diagnóstico veio após os profissionais observarem episódios de cianose — quando a pele e os lábios ficam da cor roxa pela baixa oxigenação. ​ Já Vitor também realizou a triagem neonatal sem que a cardiopatia fosse identificada. A confirmação só veio após um ecocardiograma realizado quando ele tinha poucos dias de vida. "Hoje eu faço questão de falar para outras mães sobre a importância desse exame. Talvez ele não mudasse o diagnóstico, mas eu teria me preparado melhor para tudo o que veio depois", afirma Geovanna. Histórias como as de Cecília e Vitor mostram que, por trás de cada diagnóstico de cardiopatia congênita, existe uma família aprendendo a conviver com incertezas, desafios e esperanças. E reforçam que o tratamento não se resume à correção de uma malformação cardíaca. Ele passa pelo acolhimento, pela escuta e pela construção de uma rede capaz de devolver às crianças a oportunidade de viver plenamente a própria infância. Fortalecimento de vínculos sociais No HCB, a premissa da integralidade do cuidado em saúde se traduz no entendimento de que, embora a instituição disponha de tecnologia de ponta e equipes altamente capacitadas para intervir no corpo do paciente, as vulnerabilidades socioeconômicas, financeiras e familiares cruzam constantemente o tratamento dos pacientes. Diante do desafio de que o diagnóstico de condições graves de saúde infantil frequentemente coincide com estatísticas alarmantes de abandono paterno, a rotina do hospital é predominantemente acompanhada por mães solo. Essas mulheres acumulam a responsabilidade do cuidado contínuo e o sustento financeiro dos lares, muitas vezes precisando abdicar de suas profissões. Para entender quem é essa família e do que ela precisa, o Serviço Social do HCB utiliza uma ferramenta técnica logo na chegada do paciente ao hospital: a admissão social. A supervisora do Serviço Social, Damares Santos, explica que esse primeiro atendimento funciona de forma estratégica: “Esse instrumental tira um retrato da situação atual do paciente e a gente consegue identificar quais são os fatores que podem enviesar esse tratamento. Inicialmente, fazemos essa admissão para identificar quem é esse paciente, em que contexto ele está inserido, para depois tomar as tratativas pertinentes".[LEIA_TAMBEM] Para a instituição, quem acompanha a criança não é um mero ajudante, mas parte fundamental da cura. Nas entrevistas iniciais, o Serviço Social busca mapear toda a rede de apoio da família, agindo sem julgamentos para entender as dificuldades de cada realidade, seja uma mãe presente, porém cansada; ou um cuidador que demonstra dificuldades de proteção por falta de informação, problemas de saúde mental ou necessidade financeira. "O paciente é o alvo do nosso cuidado, mas os cuidadores não são acessórios, eles são importantes dentro desse processo. Se eles não estiverem aqui, o cuidado pode ficar muito prejudicado. A vida do cuidador também acontece", conclui Damares Santos. A atuação técnica do Serviço Social da unidade também se estende à análise do perfil de proteção oferecido pelos acompanhantes. Em vez de adotar um caráter punitivo ou formular juízos de valor, a equipe avalia as dinâmicas familiares para identificar cenários que variam desde o cuidador colaborativo até configurações de negligência ou de vulnerabilidade não protetiva. Ao mapear potenciais cuidadores suplentes e acionar redes de apoio locais, a instituição resguarda os direitos da criança e a sua segurança clínica, garantindo respostas rápidas em caso de intercorrências médicas e consolidando o acolhimento institucional como um pilar indissociável da cura.   * Com informações do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB)

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Casais do Zoo ajudam a fortalecer conservação

No Dia dos Namorados, os casais do Zoológico de Brasília chamam a atenção dos visitantes não apenas pelo simbolismo da data, mas também pelo importante papel na conservação de espécies ameaçadas de extinção. Por trás de cada casal de animais no zoo, existe um trabalho técnico que envolve instituições nacionais e internacionais e busca garantir a diversidade genética e o futuro dessas populações.  O casal de macacos-aranha-de-cara-preta (Ateles chamek) Juninho e Sara: espécie está classificada na categoria “em perigo” de extinção | Fotos: Divulgação/Zoológico de Brasília Entre os casais que simbolizam esse esforço estão os macacos-aranha-de-testa-branca (Ateles marginatus) Chicão e Kika. A espécie está classificada na categoria “em perigo” de extinção, e integra programas de conservação coordenados pela Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (Azab) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).   “Cada nascimento precisa estar inserido em um planejamento que considere a conservação da espécie, o bem-estar dos indivíduos e a capacidade das instituições de acolher esses animais ao longo da vida” Ana Raquel Faria, assessora da Superintendência de Conservação e Pesquisa do Zoológico de Brasília As ariranhas Macau e Saraê também representam esse trabalho de cooperação. Macau chegou ao Zoológico de Brasília em 2019, vindo da Alemanha. Já Saraê foi transferida do Aquário de São Paulo em 2022, após recomendação técnica voltada à conservação da espécie. O casal integra um esforço nacional e internacional para aumentar as chances de reprodução das ariranhas, espécie ameaçada de extinção.  Esforço coordenado Segundo a assessora da Superintendência de Conservação e Pesquisa, Ana Raquel Faria, os pares do Zoológico de Brasília fazem parte de um esforço coordenado nacionalmente para a preservação das espécies ameaçadas. “Hoje, o ICMBio estabelece diretrizes para a conservação dessas espécies por meio dos planos de ação nacional. Em parceria com a Azab, são desenvolvidos programas que orientam o manejo populacional, incluindo recomendações sobre quais animais devem formar casais para garantir a diversidade genética das populações”, explica.  Assim, antes de qualquer aproximação entre animais, especialistas analisam informações genéticas e comportamentais dos indivíduos. O trabalho é conduzido por profissionais conhecidos como studbook keepers, responsáveis por acompanhar as populações mantidas em zoológicos e aquários e recomendar os pareamentos mais adequados. O objetivo é assegurar estabilidade demográfica e altos níveis de diversidade genética para as espécies participantes dos programas.  Pintou um clima? Em véspera do Dia dos Namorados, casal de antas é prova de que o amor está no ar no Zoo de Brasília Ciência a favor da biodiversidade O Zoológico de Brasília participa ativamente de programas de conservação coordenados pela Azab e pelo ICMBio, contribuindo para a proteção de diversas espécies ameaçadas. Essas iniciativas unem instituições de todo o país e do exterior em uma rede que busca não apenas preservar os animais em seus habitats, mas também manter populações geneticamente saudáveis sob cuidados humanos. "Cada encontro entre animais recomendado pelos programas de manejo representa uma oportunidade de fortalecer populações ameaçadas e ampliar as chances de sucesso dos esforços de conservação desenvolvidos dentro e fora das instituições” Wallison Couto, diretor-presidente do Zoológico de Brasília Outro casal que desperta expectativa é o que será formado pelos macacos-aranha-de-cara-preta (Ateles chamek) Juninho e Sara. O macho chegou recentemente ao Zoológico de Brasília vindo do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP). Após cumprir os protocolos de adaptação, ele será integrado à fêmea Sara. A movimentação dos animais entre instituições segue recomendações técnicas que consideram aspectos genéticos e demográficos para evitar a consanguinidade e fortalecer as populações sob cuidados humanos. De acordo com Ana Raquel, os zoológicos modernos trabalham com planejamento populacional e reproduções responsáveis. “Cada nascimento precisa estar inserido em um planejamento que considere a conservação da espécie, o bem-estar dos indivíduos e a capacidade das instituições de acolher esses animais ao longo da vida”, destaca. [LEIA_TAMBEM]Para o diretor-presidente do Zoológico de Brasília, Wallison Couto, o Dia dos Namorados é uma oportunidade de aproximar o público do trabalho cuidadoso que é realizado diariamente pela equipe técnica: “Quando falamos dos casais do zoológico, estamos falando também de ciência, planejamento e conservação. Cada encontro entre animais recomendado pelos programas de manejo representa uma oportunidade de fortalecer populações ameaçadas e ampliar as chances de sucesso dos esforços de conservação desenvolvidos dentro e fora das instituições”. O trabalho da equipe técnica do Zoológico de Brasília na conservação das espécies é marcado por resultados. Nos últimos anos, a equipe registrou nascimentos importantes para a conservação da fauna. Entre os nascimentos de 2024 e 2025 que fazem parte de programas de conservação do Zoológico de Brasília, estão dois filhotes de sauim-de-coleira, duas jacutingas e duas fêmeas de lobo-guará, espécies em risco de extinção. *Com informações do Zoológico de Brasília  

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Aluguel Social oferece suporte financeiro para mais de 1,3 mil mulheres em situação de violência doméstica

Mais de 1,3 mil mulheres em situação de vulnerabilidade social vítimas de violência doméstica receberam auxílio do programa Aluguel Social, criado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) em 2024. A iniciativa oferece suporte mensal no valor de R$ 600 para custeio de moradia digna. Cerca de R$ 4 milhões já foram investidos no programa, que assegura proteção, autonomia e, principalmente, uma chance de recomeço. Segundo dados da Secretaria da Mulher (SMDF), o programa já pagou 6.659 parcelas desde a criação, beneficiando 1.362 mulheres. Atualmente, 749 cidadãs recebem o benefício, que tem duração de seis meses, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período, totalizando um ano de auxílio. Atualmente, 749 mulheres recebem o Aluguel Social, que tem duração de seis meses, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período | Foto: Arquivo/Agência Brasília O Aluguel Social é destinado a mulheres em situação de violência doméstica ou familiar que tenham medida protetiva expedida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) ou pelo Ministério Público da União (MPU), renda per capita de até meio salário mínimo ou renda familiar de até dois salários mínimos, residência no DF e acompanhamento psicossocial pela rede de atendimento da Secretaria da Mulher. Para a secretária da Mulher interina, Jackeline Aguiar, o principal objetivo do programa é possibilitar que mulheres deixem ambientes onde correm risco e iniciem um processo de reconstrução pessoal. “O aluguel social foi criado especificamente para mulheres vítimas de violência doméstica. O objetivo é retirá-las da convivência do agressor e permitir que possam fixar residência em outro local, longe daquele ambiente de violência”, explica. Segundo ela, o benefício também combate um dos principais fatores que mantêm mulheres em relacionamentos abusivos: a dependência financeira. “A maioria das mulheres vítimas de violência doméstica tem uma dependência financeira muito grande do agressor. Quando possibilitamos que ela saia daquela residência e tenha suporte para encontrar um novo local de moradia, estamos oferecendo autonomia e dignidade para que possa recomeçar”, detalha. Noites tranquilas Jackeline Aguiar: “O Aluguel Social foi criado especificamente para mulheres vítimas de violência doméstica. O objetivo é retirá-las da convivência do agressor e permitir que possam fixar residência em outro local, longe daquele ambiente de violência” | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília Mais do que o suporte financeiro, o Aluguel Social trouxe tranquilidade para a vida de Clarice (nome fictício). Por mais de duas décadas, ela conviveu com a violência e o medo dentro da própria casa, onde residia com o agressor, ex-marido dela, seus três filhos e a sogra. Mesmo tendo saído da casa, o homem continuava voltando, sempre com a intenção de agredir Clarice. Foi quando ela soube do programa e, finalmente, teve a chance de recomeçar e viver em paz. “Eu fui quase morta. Liguei para o batalhão, e eles me socorreram. Eu já estava com medida protetiva, e o agressor pulou o muro para me matar, matar a mãe dele e meus filhos”, relembra a mulher, que tem quatro medidas protetivas com o ex-marido. O cenário mudou quando uma agente policial a encaminhou para a política pública. “Eles me perguntaram se, caso o Governo do Distrito Federal me ajudasse com um auxílio aluguel, eu toparia sair de casa. Pedi um dia para pensar e, no dia seguinte, falei que queria mudar.” “Depois de 22 anos de agressão, tive coragem de sair por causa desse benefício” Clarice (nome fictício), vítima de agressão doméstica Em menos de 15 dias, o benefício foi aprovado, e Clarice, com os filhos, iniciou um novo capítulo na história da família. “Hoje eu consigo dormir. Eu não dormia, eu flutuava. É muito difícil dormir com um agressor ao seu lado. Se eu não tivesse saído, talvez não estivesse aqui contando minha história”, afirma. “Sou muito grata. O governo está de parabéns por oferecer isso para a gente. Depois de 22 anos de agressão, tive coragem de sair por causa desse benefício”. Recomeço Além da assistência habitacional, as beneficiárias são encaminhadas a programas de qualificação profissional e empregabilidade. “Todas as mulheres que ingressam no programa são encaminhadas para ações de empregabilidade, dentro das suas possibilidades. Buscamos oferecer capacitação, estabilização emocional e inserção no mercado de trabalho para que elas possam adquirir autonomia econômica de forma definitiva”, enfatiza a secretária. [LEIA_TAMBEM]A subsecretária de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Maíra Castro, ressalta que o benefício surgiu para preencher uma lacuna histórica na rede de atendimento. “Muitas mulheres estavam em situação de risco iminente de morte e simplesmente não tinham para onde ir. O Aluguel Social veio justamente para trazer transformação e oferecer uma alternativa concreta para essas mulheres”, pontua. Ela explica que as beneficiárias precisam estar acompanhadas por um dos equipamentos da Secretaria da Mulher e cumprir requisitos voltados para a construção da autonomia. “O objetivo é que elas saiam do ciclo da violência e alcancem independência financeira. Por isso, incentivamos o acesso à qualificação profissional, aos cursos oferecidos pela secretaria e também a programas habitacionais”, completa. Saiba mais sobre o programa no site da Secretaria da Mulher.  

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Pesquisa inédita investiga o que leva homens a matarem mulheres no DF

Entender o que motiva homens a cometerem feminicídio foi um dos principais objetivos da pesquisa inédita Panorama da Violência contra a Mulher no DF, apresentada nesta sexta-feira (12) pelo Governo do Distrito Federal (GDF). O levantamento, considerado o primeiro desse porte feito por um ente federativo no país, ouviu mais de 5 mil pessoas e 39 autores de feminicídio presos no Complexo da Papuda para mapear fatores associados à violência contra a mulher e subsidiar políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção. Na ocasião, a governadora Celina Leão anunciou a assinatura de um decreto para institucionalizar o estudo, que passará a ser feito a cada dois anos. “A maioria das pesquisas sobre violência às nossas mulheres não são feitas por órgãos públicos, são feitas por ONGs e entidades, mas a institucionalização de pesquisas públicas dá um caminho, um rumo do que que está acontecendo e de como enfrentar esse desafio. É inovador porque é a primeira pesquisa pública feita por um ente federativo que se debruçou sobre isso. E é uma das maiores do Brasil pelo número de pessoas que foram entrevistadas, são mais de cinco mil pessoas entrevistadas”, destacou Celina Leão, durante a apresentação dos dados. “A maioria das pesquisas sobre violência às nossas mulheres não são feitas por órgãos públicos, são feitas por ONGs e entidades, mas a institucionalização de pesquisas públicas dá um caminho, um rumo do que que está acontecendo e como enfrentar esse desafio", disse a governadora Celina Leão | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília A chefe do Executivo pontuou, ainda, a abrangência do levantamento. “Quando a gente idealizou essa pesquisa, a meta era entrevistar os feminicidas, para chegar à pergunta: 'Por que os homens nos matam?' Isso é muito forte do ponto de vista de identificação de dados, de leitura de comportamento psicossocial, psicológico e comportamental. Entender a violência contra as mulheres é um pedaço da saída para combater, mas tomar providências sobre isso é mais importante ainda do que entender tudo que está acontecendo com as nossas mulheres. Eu vou soltar um decreto hoje para institucionalizar essa pesquisa, para que ela seja feita de dois em dois anos, para que a gente tenha um perfil e parâmetros verdadeiros de como isso acontece aqui no Distrito Federal”, acrescentou. Produzido pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Mulher (SMDF) e com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape), o estudo deve subsidiar o aperfeiçoamento de políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres. Segundo o presidente do IPEDF, Manoel Clementino, a pesquisa teve dois objetivos principais: medir as diferentes formas de violência contra a mulher no Distrito Federal, incluindo o contexto em que ocorrem e a percepção da sociedade sobre o problema e compreender as motivações de homens presos por feminicídio de parceiras íntimas. “Esse recorte precisa ficar muito claro. Foi uma etapa importante da pesquisa para entender as motivações desses autores. Tivemos autorização judicial para acessar esses presos e contamos com a articulação entre diversos órgãos do governo. Foi algo inédito, tanto em termos de pesquisa quanto para a nossa instituição, que nunca havia feito uma incursão em um ambiente tão delicado como o sistema prisional. A Secretaria de Administração Penitenciária teve todo o cuidado com os nossos pesquisadores”, destacou. "Entender a violência contra as mulheres é um pedaço da saída para combater, mas tomar providências sobre isso é mais importante ainda do que entender tudo que está acontecendo com as nossas mulheres" Governadora Celina Leão Padrões As entrevistas com autores de feminicídio indicam que o crime não decorre de uma causa única, mas de trajetórias marcadas por padrões de masculinidade ligados à autoridade, controle e dificuldade em lidar com conflitos. Também foram identificados comportamentos de escalada da violência, como controle de celular, ameaças, agressões físicas e uso de armas. O secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, afirmou que os dados da pesquisa refletem a realidade enfrentada diariamente pelas forças de segurança. Segundo ele, o programa DF 360, que monitora ocorrências em tempo real, evidencia a frequência dos casos de violência doméstica. “Às vezes, durante a noite ou no fim de semana, a cada 10 ou 15 minutos surge um alerta de violência doméstica com a geolocalização de mulheres que ligam para o 190. Quando vemos números como os da pesquisa, percebemos que não estão fora da curva, são a realidade. E, pior ainda, são subnotificados, porque muitas mulheres não acionam a polícia por medo”, destacou. Para Patury, o levantamento ajuda a combater a negação sobre a dimensão do problema. “É uma pesquisa inédita e corajosa, porque busca entender algo que muitas vezes se evita discutir: as motivações desses crimes. Mas, para quebrar o ciclo, é preciso compreender e, para isso, é necessário perguntar”, afirmou. O secretário também apontou a questão patrimonial como um dos fatores relevantes nos casos de violência. “Não se trata apenas de quem é o provedor. Muitas vezes, a mulher sustenta a casa e o homem se apropria desse patrimônio, assumindo uma posição de poder. Essa relação está ligada a um contexto histórico de machismo estrutural”, explicou. Ele ressaltou ainda que o enfrentamento da violência vai além da atuação policial. “Segurança pública não se resolve apenas com polícia. Passa por educação, cultura, esporte e oportunidades”, concluiu. Panorama da violência contra a mulher A pesquisa foi feita em duas etapas: aplicação de questionário a 5.093 pessoas, em 80 pontos de grande circulação em todas as regiões administrativas do DF, e entrevistas em profundidade com 39 dos 50 homens presos por feminicídio no Complexo da Papuda. Entre os resultados, 77,6% das mulheres relataram já ter vivido alguma situação de violência ao longo da vida; 44,8% reconhecem ter sido vítimas e, entre essas, 15,4% ainda mantêm relação com o agressor. A dependência financeira aparece como principal fator associado à violência por parceiros íntimos. O estudo também aponta dificuldade no reconhecimento de formas de violência: 49,4% dos entrevistados não consideram que negar acesso ao próprio dinheiro seja sempre violência. Apenas 33,8% das mulheres e 19,7% dos homens identificaram corretamente todas as situações apresentadas. Persistem ainda percepções distorcidas sobre o papel da mulher, com concordância a frases como “toda mulher é um pouco histérica” (35,4%), “mulher é o sexo frágil” (34,9%) e “tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama” (33,3%), mais naturalizadas entre os homens. A pesquisa identificou diferenças regionais: em áreas de maior renda, a percepção do aumento da violência é menor, mas o reconhecimento das situações de violência é mais preciso; já em regiões de menor renda ocorre o inverso. Mais informações podem ser consultadas nos relatórios completos disponíveis no site do IPEDF. “Esse recorte precisa ficar muito claro. Foi uma etapa importante da pesquisa para entender as motivações desses autores. Tivemos autorização judicial para acessar esses presos e contamos com a articulação entre diversos órgãos do governo", explicou Manoel Clementino, presidente do IPEDF Ações A governadora aproveitou a coletiva para apresentar um panorama das ações do GDF em defesa das mulheres, desde 2019, com a criação da Secretaria da Mulher. Dois anos depois, foi inaugurada a Casa da Mulher Brasileira, em Ceilândia. Em 2023, a Força-Tarefa contra o Feminicídio foi instituída e, no ano seguinte, o programa Acolher Eles e Elas foi criado e o Comitê de Proteção à Mulher, criado. No ano passado, o Aluguel Social e o Passe Livre foram instituídos e houve a inauguração de quatro centros de referência da mulher brasileira. Para este ano, está prevista a abertura da Casa da Mulher Brasileira no Plano Piloto. A Secretaria da Mulher ampliou de forma histórica a rede de proteção às mulheres no DF e, na atual gestão, foram implantados 17 novos equipamentos públicos, o que elevou a estrutura de atendimento e acolhimento para 31 unidades. O fortalecimento da rede já apresenta resultados concretos: apenas em 2025, a secretaria fez mais de 70 mil atendimentos diretos e alcançou mais de 100 mil mulheres por meio de programas e ações, com investimentos superiores a R$ 86 milhões. A pasta intensificou, ainda, a mobilização social com campanhas estratégicas e institucionais de conscientização e proteção. Entre as principais iniciativas, estão A Sua Denúncia Salva; Agosto Lilás; Mães Mais que Especiais; Mulher, Não se Cale; Educar para Proteger; Feminicídio Zero; Reconstruindo Sorrisos; 21 Dias de Ativismo; e Salas Douradas, além de ações itinerantes de orientação à população. As campanhas ampliaram o acesso à informação, fortaleceram a rede de apoio e impactaram milhares de pessoas em todo o DF, ao reforçar o compromisso permanente do GDF com a prevenção da violência e a defesa dos direitos das mulheres.

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