Quarta idade avança no Brasil e desafia rede de saúde a se adaptar
O brasileiro está vivendo mais, e, no Distrito Federal, essa mudança já impacta diretamente a organização dos serviços de saúde. O envelhecimento populacional vem avançando nas últimas décadas e evidencia um fenômeno cada vez mais presente: o aumento do número de pessoas com 80 anos ou mais, a chamada quarta idade. O termo é utilizado por especialistas para designar essa etapa da vida em que a longevidade se intensifica, mas também traz novos desafios sociais e de saúde, exigindo acompanhamento mais próximo e contínuo. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022, indicam que o Brasil já conta com cerca de 4,6 milhões de pessoas com mais de 80 anos. Entre os idosos, a faixa etária mais numerosa é de 65 a 69 anos, com 7,9 milhões de brasileiros, mas o grupo que mais cresce é justamente o de idade mais avançada. Na contramão, a população mais jovem vem diminuindo. Pessoas com 0 a 14 anos somam 40,1 milhões, 19,7% da população. Já a expectativa de vida no país chegou a 77 anos, sendo maior entre as mulheres (80,5 anos) do que entre os homens (73,6 anos). Esse cenário reflete uma mudança marcada pela redução das taxas de natalidade e pelo aumento da longevidade, tendência observada em diversos países e que amplia a presença de idosos em idades cada vez mais avançadas. Realidade que já impacta a rede de saúde No Distrito Federal, essa transformação já é percebida na rotina das unidades de saúde. Hospitais administrados pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), como o Hospital Cidade do Sol, convivem com o aumento do número de pacientes em idades mais avançadas, muitos deles em situação de internação prolongada. Gilberto Gomes Barbosa tem quase 70 anos de idade, está internado há três meses no HSol por problemas cardíacos, e dedica tempo à produção literária e musical | Foto: Ualisson Noronha/IgesDF Para o médico Álvaro Modesto, chefe de Núcleo Médico do HSol, esse novo perfil exige mudanças na forma de cuidar. “Na prática, isso já aparece no dia a dia dos hospitais. Temos mais pacientes acima dos 80 anos, muitos com necessidade de acompanhamento contínuo e apoio para atividades básicas. Isso muda a forma como organizamos o cuidado”, explica. Com mais pessoas vivendo por mais tempo, cresce também a necessidade de acompanhamento por parte de familiares, como filhos e cônjuges, além do suporte da rede de saúde. “As famílias também precisam se adaptar a essa realidade. Pais e avós estão vivendo mais e, muitas vezes, precisam de um cuidado mais próximo na rotina”, acrescenta o médico. Cuidado contínuo e qualidade de vida O aumento da chamada quarta idade também exige uma abordagem mais integrada dentro dos serviços de saúde. Questões como mobilidade, uso correto de medicamentos, alimentação e acompanhamento clínico ganham ainda mais importância. Para o ortopedista Rodrigo do Carmo, chefe do serviço de ortopedia do Hospital de Base do Distrito Federal, o cuidado adequado faz diferença na autonomia dos pacientes. “Depois dos 80 anos, o acompanhamento ajuda a reduzir riscos e contribui para que o idoso mantenha autonomia e qualidade de vida”, explica. Em unidades do IgesDF, o atendimento a esse público envolve equipes multiprofissionais e, em muitos casos, acompanhamento contínuo ou internações prolongadas, especialmente entre pacientes com maior grau de dependência. Gilberto Gomes Barbosa é um desses exemplos. Aposentado e com quase 70 anos de idade, está internado há três meses no HSol por problemas cardíacos. Mesmo durante a internação, ele mantém a independência e não precisa de acompanhante permanente. Ainda assim, recebe visitas frequentes de irmãos e amigos, que passam pelo hospital sempre que a rotina de trabalho e estudos permite. A família, segundo ele, fica tranquila ao saber que está bem assistido pela equipe de saúde. “Tenho sido muito bem tratado. Minha família fica tranquila e eu procuro aproveitar o tempo me mantendo ocupado enquanto estou aqui”, ressalta Gilberto Gomes Barbosa. Além da rotina de cuidados com a saúde, o paciente também dedica tempo à produção literária e musical. Ele é escritor e compositor e afirma que sempre gostou de escrever. Atualmente, já tem cinco livros publicados e trabalha em uma nova obra inspirada na própria experiência durante a internação no Hospital Cidade do Sol. Desafio que tende a crescer O crescimento da população com mais de 80 anos segue uma tendência global. Projeções indicam que, até 2050, o mundo terá cerca de 2 bilhões de pessoas com 60 anos ou mais, ampliando o debate sobre políticas públicas, cuidados de longo prazo e organização do apoio familiar. No Distrito Federal, o desafio já é presente: não se trata apenas de viver mais, mas de garantir que essa longevidade venha acompanhada de qualidade de vida, autonomia e acesso a uma rede de saúde preparada para atender uma população cada vez mais envelhecida. *Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)
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Cuidado adaptado muda experiência de pacientes com autismo no Hospital de Santa Maria
Para muitos pacientes com autismo, uma consulta médica pode representar mais do que um atendimento de rotina. Sons intensos, luzes fortes e ambientes imprevisíveis podem gerar desconforto, ansiedade e até impedir a continuidade do cuidado. No Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), essa realidade começa a mudar com a adaptação dos espaços e uma abordagem construída a partir das necessidades de cada paciente. Na unidade, o cuidado começa antes mesmo de qualquer procedimento. A equipe ajusta o ambiente e a forma de atendimento para evitar sobrecarga sensorial e garantir mais tranquilidade, especialmente para crianças. Luzes podem ser reduzidas, sons são controlados e o atendimento segue o ritmo de cada um. Eduardo Figueiredo Martins, 16, passa pelas consultas assistindo a desenhos animados; televisão na sala ajuda a reduzir a ansiedade | Fotos: Divulgação/IgesDF As mudanças fazem parte de uma reorganização da assistência, que passou a priorizar previsibilidade, conforto e acolhimento. Ao longo dos últimos anos, fluxos, ambientes e condutas foram ajustados para tornar o serviço mais acessível e seguro. Na odontologia, cada etapa é planejada de forma individualizada. Antes de iniciar o atendimento, os profissionais buscam entender a rotina, as preferências e as sensibilidades do paciente. A partir dessas informações, o espaço é adaptado e, sempre que possível, são utilizados instrumentos mais silenciosos. Dados do Censo Demográfico de 2022 indicam que o Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista, o equivalente a 1,2% da população “Cada paciente reage de uma forma. Por isso, adaptamos tudo o que for necessário para garantir mais conforto. Às vezes, pequenas mudanças fazem toda a diferença para que o atendimento aconteça de forma tranquila”, relata o dentista Diego Sindeaux. Estratégias simples também ajudam a criar vínculo e segurança. Aos 16 anos, Eduardo Figueiredo Martins encontrou uma forma de passar pelas consultas com mais tranquilidade: assistindo a desenhos animados durante o atendimento. A presença da televisão na sala contribui para reduzir a ansiedade e facilitar a realização dos procedimentos. Para a mãe, Vivian Figueiredo Santana, o acolhimento faz diferença no dia a dia. “O atendimento aqui é maravilhoso, melhor que em todos os lugares por onde passamos. Fico muito tranquila em saber que meu filho está com profissionais preparados para atendê-lo”, conta. Mensalmente, entre 28 e 30 pacientes são encaminhados ao serviço por meio do Sistema de Regulação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). A unidade também realiza atendimentos por demanda espontânea, principalmente em situações de urgência. Comunicação O cuidado no HRSM vai além do ambiente físico e se estende ao ambulatório de linguagem infantil, voltado a pacientes com dificuldades na comunicação, fala e compreensão. Entre os casos atendidos estão atraso no desenvolvimento da linguagem oral, dificuldade na expressão de ideias, trocas de sons na fala, gagueira e desafios no processo de leitura e escrita. "Trabalhamos com terapias específicas para que o paciente consiga se expressar melhor. Cada plano é construído de forma individualizada" Thayná Martins, fonoaudióloga do HRSM Para crianças com autismo, a primeira consulta é dedicada à escuta dos pais ou responsáveis. A partir dessa avaliação, é definido um plano terapêutico individualizado. Em geral, o acompanhamento começa com 14 sessões de fonoterapia, com duração de uma hora cada. Caso haja necessidade, o paciente é encaminhado para continuidade do cuidado por meio da regulação. “A maioria das crianças com autismo apresenta alguma condição associada, como o TDAH. Uma característica comum é a dificuldade na comunicação. Aqui, trabalhamos com terapias específicas para que o paciente consiga se expressar melhor. Cada plano é construído de forma individualizada”, explica a fonoaudióloga Thayná Martins. O ambulatório funciona às quartas-feiras no período da tarde e às quintas e sextas-feiras em tempo integral, atendendo pacientes da região Sul. Espaço sensorial Como parte dessa estratégia, o hospital implantou o Espaço Humanizar TEA, ambiente sensorial voltado exclusivamente a crianças com autismo. O local foi planejado para reduzir estímulos excessivos e oferecer mais conforto, especialmente durante o tempo de espera. [LEIA_TAMBEM]Além de funcionar como área de acolhimento, o espaço também pode ser utilizado em atendimentos específicos. Em algumas situações, equipes multiprofissionais realizam o cuidado no próprio local, evitando a exposição a ambientes mais intensos. Dados do Censo Demográfico de 2022 indicam que o Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista, o equivalente a 1,2% da população. O transtorno é mais frequente entre homens e costuma se manifestar ainda na infância. Como acessar o serviço O acesso aos atendimentos ocorre principalmente por meio do Sistema de Regulação da SES-DF, com encaminhamento realizado pelas Unidades Básicas de Saúde e pelos hospitais regionais. No caso da odontologia do HRSM, o atendimento é feito via regulação, com suporte também para casos de urgência por demanda espontânea. Para o acompanhamento no ambulatório de linguagem infantil, é necessário procurar uma unidade básica de saúde para avaliação e encaminhamento. O serviço funciona às quartas-feiras no período da tarde e às quintas e sextas-feiras em tempo integral, atendendo pacientes da região Sul. *Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)
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Samu-DF prepara operação especial para encenação da Paixão de Cristo, no Morro da Capelinha
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do Distrito Federal (Samu-DF) estará com esquema especial de atendimento durante a encenação da Paixão de Cristo, nesta sexta-feira (3), no Morro da Capelinha, em Planaltina. A ação tem como objetivo garantir assistência rápida e segura ao público, estimado em cerca de 100 mil pessoas. A operação começa às 13h e segue até o fim do evento, com equipes posicionadas em pontos estratégicos para facilitar o acesso às ocorrências. Ao todo, serão empregadas uma Unidade de Suporte Básico (USB), um Veículo de Intervenção Rápida (VIR), uma Unidade de Suporte a Múltiplas Vítimas (USMV) e duas duplas de motolâncias, ampliando a capacidade de resposta em situações de urgência. Os profissionais do Samu-DF — enfermeiros, técnicos de enfermagem, condutores e motociclistas — atuarão de forma integrada para prestar os primeiros atendimentos no local e, quando necessário, realizar o transporte de pacientes para unidades de saúde de referência. Além das viaturas, o evento contará com apoio de um posto médico fixo e estrutura organizada para o atendimento inicial das ocorrências, o que contribui para mais agilidade e segurança no cuidado à população. Operação começa às 13h e segue até o fim do evento, com equipes posicionadas em pontos estratégicos para facilitar o acesso às ocorrências | Foto: Arquivo/Agência Brasília A enfermeira e gerente de Atendimento Pré-Hospitalar Móvel do Samu-DF, Thays Nadja de Oliveira, que coordenará as equipes no evento, destaca a importância do planejamento para garantir a segurança do público. “Nosso foco é estar próximo das pessoas e agir com rapidez sempre que necessário. Organizamos as equipes e os recursos de forma estratégica para dar uma resposta ágil e eficiente, contribuindo para que todos possam participar da celebração com mais tranquilidade”, afirma. Samu-DF O Samu-DF integra a Política Nacional de Atenção às Urgências e realiza o atendimento pré-hospitalar móvel em situações clínicas, traumáticas, cirúrgicas e psiquiátricas. O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia e pode ser acionado pelo telefone 192, que oferece orientações imediatas e o envio de equipes especializadas quando necessário. Vinculado à Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), o Samu-DF conta com ambulâncias, motocicletas e helicóptero aeromédico para garantir atendimento ágil e salvar vidas. *Com informações da SES-DF
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No Hospital de Base, pacientes com bolsa de colostomia e feridas ganham apoio para voltar à rotina
Aceitar uma mudança no próprio corpo depois de uma cirurgia pode ser um dos momentos mais desafiadores na vida de um paciente. A aposentada Vandelice Santos de Santana, 66 anos, viveu esse processo após o tratamento de um câncer colorretal, quando precisou passar a usar uma bolsa de colostomia. “Tive muita dificuldade para aceitar. No começo, eu não conseguia nem olhar pra ela. Meu filho que colocava pra mim”, relembra. A bolsa de colostomia é um dispositivo utilizado para coletar fezes e outros resíduos por meio de uma abertura feita no intestino grosso, no abdômen. Ela passa a ser necessária quando o intestino ou o ânus deixam de funcionar normalmente, exigindo novos cuidados no dia a dia. Por trás dessa adaptação está a estomaterapia, uma especialidade da enfermagem ainda pouco conhecida, mas essencial para a qualidade de vida dos pacientes. O estomaterapeuta é o profissional responsável por orientar, acompanhar e tratar pessoas com estomas, que são aberturas cirúrgicas que conectam órgãos ao exterior do corpo, além de atuar no cuidado de feridas complexas e incontinências. No Hospital de Base do Distrito Federal, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), a referência nesse atendimento é a enfermeira estomaterapeuta Alexandra Lino. Ela sempre trabalhou na área cirúrgica, e decidiu se especializar por sentir falta de conhecimentos aprofundados para poder prestar uma assistência melhor aos pacientes. "Eu sempre me deparava com áreas de extrema complexidade, como abdomens abertos e estomas de difícil manejo, então a estomaterapia me pareceu muito interessante", explica. A bolsa de colostomia é um dispositivo utilizado para coletar fezes e outros resíduos por meio de uma abertura feita no intestino grosso, no abdômen | Fotos: Divulgação/IgesDF A especialista conta que a profissionalização abriu novas oportunidades e a preparou para ajudar pacientes que estavam sofrendo. "A estomaterapia me proporcionou conhecimento para superar desafios diante das realidades de cada um. Aqui no Hospital de Base, que é referência em complexidades, sempre tive o suporte para atuar junto dos pacientes e trazer a qualidade de vida que eles precisavam diante de situações muito críticas", detalha. Alexandra foi a colaboradora responsável por acompanhar e orientar sobre o preparo e o manejo da bolsa de colostomia de Vandelice e outros incontáveis pacientes. Mais do que ensinar a parte técnica, o acolhimento também é essencial nesse processo. “O cuidado em si é simples, mas se torna difícil porque a bolsa de colostomia altera totalmente a vida do paciente, o que impacta muito principalmente no psicológico”, explica a enfermeira. Somente em 2025, o Hospital de Base realizou mais de 2,5 mil atendimentos relacionados ao cuidado com estomas. Segundo a especialista, muitos pacientes conseguem fazer o manejo sozinhos em casa, mas alguns precisam de acompanhamento mais próximo por causa de complicações ou dificuldades na adaptação. “Cada paciente traz uma história diferente. Muitos fazem perguntas que têm vergonha de fazer para outras pessoas, até mesmo para a equipe médica. E a família também precisa participar, porque passa a fazer parte dessa nova rotina”, relata. Ainda cercado por preconceitos, o uso da bolsa de colostomia exige sensibilidade no atendimento. Para a especialista, a empatia faz toda a diferença. “É essencial mostrar ao paciente que ele não está sozinho. Isso muda completamente a forma como ele enfrenta essa fase”, completa a enfermeira. Hoje, Vandelice diz que conseguiu superar esse período e retomou a rotina com autonomia. “Eu cuido da minha casa, lavo roupa, ando sozinha pra todo canto. Levo uma vida boa e normal”, comemora. Apoio especializado na adaptação e recuperação Além do acompanhamento de pacientes com estomas, o estomaterapeuta também atua no tratamento de feridas complexas e no manejo de incontinências, ajudando a prevenir complicações e acelerar a recuperação. Esse profissional avalia as lesões, orienta a higiene da pele, indica os curativos mais adequados e acompanha a evolução dos casos, principalmente quando o paciente tem dificuldade para realizar o autocuidado. Esse acompanhamento contribui para a cicatrização e garante mais conforto e segurança. É o caso de André Luiz Nagashima Silva, de 41 anos, que teve metade do pé amputado após uma complicação causada por uma bolha. Desde então, ele faz acompanhamento até a cicatrização completa do ferimento. “Tenho recebido um ótimo atendimento desde o começo. É um momento de adaptação, e ter esse apoio é muito reconfortante”, relata. Entre as principais condições tratadas estão úlceras venosas, lesões causadas pelo diabetes, como o pé diabético, e lesões por pressão. Esses casos exigem acompanhamento contínuo devido ao risco de complicações. No Hospital de Base, o atendimento em estomaterapia é voltado a pacientes que já estão em tratamento na unidade, garantindo uma assistência integrada. *Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)
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